Segunda-feira, 17 de Outubro de 2016

O Nevoeiro De Uma Morte Distante.

      A cada momento sinto refulgir este esforço magmático de me manter inteiro. A partir de mim cada peça se descobre no desejo de crescer em ramificações de pedra onde possam permanecer o tempo interminável do destino inconstante da adoração. Um gesto fica neste marujo de pedra que se cinde sob o escopro agreste da paixão.
      Nada a não ser migalhas sobram deste momento em as nossas bocas se tocam como folhas caídas rodopiando dentro de um circulo convexo de aperto e mais aperto até ao ponto da minha pele não ser mais a minha pele. Torna se uma indelével camada que sobrevive na maré espigada da tua.
      Na memória o tempo em que não havia um eu a seguir um tu. Tudo definhava no cinzento que ia e vinha pintando este mundo de diferentes tons de cinzento. As tardes amoleciam em vários níveis de melancolia. O sabor de viver desistia do insonso marulhar do tique taque de milhares de relógios que se apressavam para acabar com um qualquer resto de vida que ocupasse um interstício esquálido no universo.
     No novelo insipiente dos dias surgiam um no que se revelava insondável ao mais comum dos discernimentos. Havia um vagar de morte que caia como o nevoeiro de uma morte muito distante. Alongava se nos beirais o gesto fúnebre de morrer.

publicado por 100destino às 13:38
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