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100Destino

Onde um destino sem destino procura um destino entre cem.

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Onde um destino sem destino procura um destino entre cem.

27.02.08

Não posso


Paulo José Martins

            Suspeito um sentimento crescente dentro de mim. Insurrecto, florescido num fragmento deserto de vida. Não sei como ou de onde surgiu. Mas agora não sei o que fazer.

Esforço-me muito. Muito mesmo para não deixar ninguém chegar perto de mim. Não posso de forma alguma incorrer no crime de me apaixonar. Não posso, pura e simplesmente não posso.

Mas os teus olhos de cristal lazuli conquistaram o meu cárcere de granito. Agora não sei o que fazer com o teu sorriso de porcelana chinesa que por muito que eu não queira  me aquece o coração e me leva para longe, para terras distantes de calor e fruta, de paixão fervida em lençóis de veludo e acompanhado pelo teu beijo que eu me esforço muito para não querer.

Tenho de resistir. Como foi isto acontecer? Como foi possível? Logo a mim. Eremita no meu modo de vida, escondido fundo, profundo dentro de mim.

Chegaste e abalroaste a minha vida com o teu carinho inocente, com o teu jeito de pomba com um grão na asa, desprotegida, plena. E agora o que faço a minha vida?

Passo os dias a contar os minutos em que não penso em ti e chego ao fim do dia com as mãos vazias.