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100Destino

Onde um destino sem destino procura um destino entre cem.

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Onde um destino sem destino procura um destino entre cem.

24.06.08

A Redundância do Pensar


100destino

 

As vezes penso. Não sei em quê. Outras vezes penso que penso e fico a pensar nisso. Passo horas a pensar naquilo que penso e nas razões pelas quais penso naquilo que penso. Penso que não sei o que penso, mas continuo a pensar naquilo que penso.
            Penso que poderia pensar noutra coisa qualquer que não seja pensar e chego à conclusão que não consigo pensar em mais nada a não ser naquilo que penso.
             Penso que penso para evitar pensar. Penso que deve ser essa a razão pela qual eu passo tanto tempo a pensar nas coisas que penso. Talvez seja uma espécie de mecanismo para não pensar nas outras coisas com as quais não penso.
             Em que coisas não penso? Não sei. Passo muito tempo apensar nas coisas que penso para ter tempo para pensar naquilo que não penso. No entanto não pensar nelas faz-me pensar. É como se pensar naquilo que penso me protege-se de maus pensamentos, ou pelo menos de pensamentos que não gostaria de pensar. Assim sinto-me seguro. Posso pensar à vontade naquilo que penso sem pensar em pensamentos que não quero pensar.
             Eu até gosto bastante de pensar. Pelo menos penso que gosto de pensar. Dá-me a sensação que sou um ser pensante. Gosto de pensar nisso e gosto de pensar que sou bom a pensar. Também penso que talvez as outras pessoas pensem nas mesmas coisas que eu penso ou talvez pensem nas mesmas coisas que eu penso só que pensam doutra maneira. Gosto de pensar que as outras pessoas pensam noutras coisas que eu não penso.
             Neste momento penso no propósito desta crónica e por mais que pense e que tente pensar, penso que não tem nenhum. Isso dá-me que pensar...
             Talvez seja algo que deva depositar algum pensamento. Mas acho que se pensar o suficiente talvez encontre um novo caminho, uma nova forma de pensar, algo completamente novo e refrescante. Talvez me ajude a pensar nas coisas que penso de outra perspectiva e que me leve a ter pensamentos novos e fascinantes sobre todas estas coisas sobre as quais gosto de pensar. Talvez me prevenisse contra pensamentos circulares como: “ Porque penso nas coisas que penso? E porque penso na forma que penso quando estou a pensar naquilo que penso? ”.
            As vezes penso que penso demais. No geral penso demais. Devia pensar menos. Pelo menos nas coisas que penso. Mas se pensar nisso penso que ficaria na mesma. Tenho mesmo de deixar de pensar. Tenho de pensar numa forma de deixar de pensar. Talvez pensar em nada seja uma solução. Mas ponho-me a pensar e talvez nada seja alguma coisa e não estaria a pensar em nada e sim nalguma coisa, logo em vez de pensar em nada estaria como sempre e outra vez a pensar numa coisa qualquer. Penso que pensar em nada não me iria ajudar.
            Acho que vou fazer uma pausa para pensar nisso...

18.06.08

Amargura


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        Para traz deixo o destino e tudo o que ele me iria trazer. Para traz estão as memórias que não consigo largar. Memórias de um tempo distante. De um tempo em que acreditava na felicidade, no amor, na fraternidade e compreensão. Mas agora ao longe e de cima tenho uma visão mais profunda da realidade medíocre que nos envolve e nos suga todo e qualquer tipo de sentimento.