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100Destino

Onde um destino sem destino procura um destino entre cem.

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Onde um destino sem destino procura um destino entre cem.

23.09.08

Os meus olhos.


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Os meus olhos viram a tua face

Os meus olhos viram o teu sorriso

Os meus olhos viram a tua ternura

Os meus olhos viram o teu amor

Os meus olhos viram quando te foste embora

Os meus olhos encheram-se de água

Os meus olhos não viram mais nada.

10.09.08

E eu sempre aqui.


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Tiras os óculos e observas as lentes como que à espera que os teus olhos dêem uma imagem diferente e aos poucos resolves coloca-los em cima da mesa encostados ao cinzeiro. Ficas a contemplar o momento em que decides desenrolar o cabelo sedoso que até ai estava preso pela imagem subentendida de um senhora profissional. As madeixas levantam-se e sobem como que sem peso, ou sem tempo, ficam por momentos suspensas num suspiro e vagarosamente caem sobre os ombros. Essa súbita liberdade é o teu prazer do dia. É o teu momento só teu.Estás completamente alheia à minha presença. Segues para a casa de banho, descalças os sapatos e não fechas a porta enquanto começas a despir o fato que te prendeu as formas todo o dia e também despes o pudor.

E eu sempre aqui. Sentado na borda da cama acompanhado por uma bebida qualquer continuo esperando um sinal teu.

03.09.08

O beijo


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O beijo é para mim a verdadeira expressão do prazer. Sem segundas intenções pode-se descobrir tudo sobre a outra pessoas apenas pela sua forma de beijar. A forma com que beija é a forma como leva a sua vida e a sua entrega ao acto de beijar revela frequentemente a sua entrega à pessoa beijada. Orgasmos fingem-se ou inventa-se. Mas o leve toque do beijo é indefinível e logo por isso torna-o impossível de representar.

Uma pessoa quando beija com vontade está-se a render ao outro sem subserviência. Está a dizer: estou aqui sou tua, faz de mim o que quiseres. E eu sabendo que tenho essa possibilidade, a possibilidade de fazer dela o que quiser, decido não fazer mais do que isso, porque o beijo é já em si supremo.

02.09.08

A Canção de Maria


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Que é de ti, melancolia?
Onde estais, cuidados meus?
Sabei que a minha alegria
É toda vinda de Deus...
Deitei-me triste e sombria,
E amanheci como estou...
Tão contente! Todavia
Minha vida não mudou.
Acaso enquanto dormia
Esquecida de meus ais,
Um sonho bom me envolvia?
Se foi, não me lembro mais...
Mas se foi sonho, devia
Ser bom demais para mim
Senão não me sentiria
Tão maravilhada assim.

Ó minha linda alegria,
Trégua dos cuidados meus,
Por que não vens todo dia,
Se é toda vinda de Deus?

 

Manuel Bandeira 1913