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100Destino

Onde um destino sem destino procura um destino entre cem.

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Onde um destino sem destino procura um destino entre cem.

26.09.10

As sílabas de um outro adeus.


100destino

      Lembro-me de chegares. Trazias a tristeza estampada no peito. Sozinha, já não pertencias a mim, mas a uma palavra esquecida no tempo.

      E com um sorriso que só eu senti estremeceste as sílabas de um outro adeus. Tudo tinha acabado num acabar sem fim.

      “ Vamos voltar atrás, a um tempo de outras alegrias.”

      E nada. Nada. Assim chegaste, assim partiste deixando para trás apenas o travo amargo de uma recordação.

19.09.10

Olhar o céu.


100destino

 

      Olho o céu.

      Não existe.

      Apenas tecto.

      A noite infinita ofusca-me o sono.

      Não durmo.

      Penso.

      Solidão regada pelo marulho da noite.

      Assusta-me.

      Quero me levantar e não consigo.

      Sinto-me preso num sonho acordado.

      Lá vem a dor.

      Persegue-me este vazio no peito.

      Finco as unhas na pele para me distrair da dor.

      Nada.

      O sujeito inimigo oculta-se nas dobras do tempo.

      Tempo.

      Não mexe.

      Não passa.

      Pouco me resta.

      Só olhar o céu.

12.09.10

Réstia de um corpo na flor do abandono.


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Perfumo o gesto escrito em gotas de vapor.

Exala no espaço um momento obscuro.

Revelas-te em mim num beijo em fenda.

Lábios esculpidos em marfim que me seduzem.

Prendem-me neste miasma que intoxica e desaparece.

Nós dois como peça única num fenómeno universal.

Desejo o tempo como cicatriz que já não dói e que nos completemos num murmúrio já sem fogo.

Extintos os desejos da alma no vento soprado da paixão.

05.09.10

Suspiro de anis


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Sigo o momento incandescente

e logro fugir à embalagem do sono

como vertente ansiosa do crepúsculo

são penumbras as manhãs efervescentes

de um beijo à muito prometido

desejos pernoitam em corpos esquecidos

que bebo sorrateiro em suspiros de anis.