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100Destino

Onde um destino sem destino procura um destino entre cem.

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Onde um destino sem destino procura um destino entre cem.

27.07.14

Lágrimas torrentes.


100destino

 

Sopra o vento na intimidade da noite. E eu aqui procurando-te entre os dedos fugazes de uma memoria perdida. Sei que foste minha como que mergulhada na falésia húmida de um poema que te cantei em soluços de lágrimas torrentes.

 

Volta para os meus braços. Volta para este nosso mundo em suspenso de cores e sons e seremos os únicos a amar em tempestuosas águas de um viver infinito. Espero por ti nesta praia desconsolada de viver sem ti e choro.

 

As gotas que escorrem soltas pela minha face vítrea caem como pedras filosofais impossíveis de encontrar. Sinto a acabrunhada madrugada a resplandecer no horizonte longínquo e eu vogo passo a passo pela bruma espumosa da maré onde irei esperar eternamente que um dia o teu abraço me complete.

 

20.07.14

Alma extinta.


100destino

 

As cadências do medo vivem crispando as acendalhas deste viver prescrito. Sinto-me só pela calada noite. Pelo manto inóspito da rua fogem as estrelas cadentes do néon dos bares. Subtil a humidade a crescer-me nos ossos paralisados e sei que já não sou o vaga-lume da aurora.

 

Tornei-me o senhor dos meus enfins. E tudo o que acontece se perde na fímbria estelar dos molhos. Até onde se vê só existe água, uma maré infinita do mais longo saber. Cálida madrugada em que resisto a tentação de um olhar que me persegue.

 

O veneno já não existe em mim. Há muito tempo que a morte aquosa dos plátanos me soterrou em mágoas de uma planície agora deserta. Neste momento sou apenas uma negra bebida derramada sobre os pulsos cortados de uma alma extinta, morta.

13.07.14

Esse beijo que se afoga no meu.


100destino

 

Na noite vejo formas distintas.

Segredos que se formam sem notar

São imagens vibrantes e indistintas.

São novas maneiras de te amar.

 

Longe o tempo de sombras famintas.

Onde a nostalgia não se faz notar

Quadro este, o mundo onde me pintas

Pano invisível onde tento me ocultar

 

E nesta noite sombria de plumas.

Onde se perde o meu fôlego no teu

Fico sem palavras, como se existissem algumas.

Quando o teu beijo que se afoga no meu.

06.07.14

O nosso próprio adeus.


100destino

 

Pela praia caminho sonâmbulo entre as folhas caídas dos dias. Diáfano prazer de virgens que se desnudam sob a carícia penetrante do sol. Todos os dias são dias de amar. Na vertente de um desgosto sinto a malagueta da infâmia e soçobra-me gestos de aço sobre azul.

 

Nunca na minha vida soltei beijos de amêndoa como flores na primavera. Tudo tem um jeito de ser. Mesmo a flora matinal das conchas em praias antes vazias de gente incógnita. Pescadores de almas arrastadas ao vento e nunca sobre o olhar de um deus qualquer.

 

Extingo-me em elipse antes que a alvorada me devore. E serei para todo o sempre deste corpo que se me acaba antes de mim. Julgo que o amanhã virá cavalgante e nos levará pelas planícies de um outro viver e ai seremos juntos o nosso próprio adeus.