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100Destino

Onde um destino sem destino procura um destino entre cem.

100Destino

Onde um destino sem destino procura um destino entre cem.

15.01.16

O Rapaz Que Se Perdeu Dela.


Paulo José Martins

11. A pele nua de joana aquece a minha contrastando com o frio do meu espírito. Toda ela linda. Uma estatueta quebrada por dentro. Abraça-me enrolando uma perna por cima de mim encostando a sua púbis lanosa a mim. Diz-me que ama um rapaz que se perdeu dela.

14.01.16

Os Rigores Do Pensamento.


Paulo José Martins

10. O prédio abana com o passar do metro. Chocalham os caixilhos. Lembrando-nos que existe uma vida lá fora. Que no meio do desespero ainda não conseguimos morrer. Aqui, nós os dois, silenciados pela empatia, deixámos o passar do tempo ditar os rigores do pensamento.

13.01.16

No Mineral Das Veias.


Paulo José Martins

9. Sónia tira a roupa e deita-se ao meu lado, no chão aspergido de pedaços de vidro e ali ficamos, deitados, de mãos dadas, enquanto o veneno se dissolve no acontecer mineral das veias. A mão dela aperta a minha mão. E dentro de mim surge sempre a mesma pergunta. Porque é que o suficiente nunca é o suficiente?

12.01.16

Um Aconchego Na Escuridão.


Paulo José Martins

8. O miador procura um aconchego na escuridão. Sónia diz que a joana nunca mais vai voltar. Mas que ela estará ao meu lado sempre que eu precisar. Sempre que eu precisar de um aconchego. De um abraço amigo.

11.01.16

Nunca Mais Voltar.


Paulo José Martins

7. Quero fugir de mim. Procurar uma paisagem longínqua onde eu não me possa encontrar. Não quero ser encontrado pela dor. Preciso me esconder num abraço amigo e nunca mais voltar.

08.01.16

As Gotas de Chuva.


Paulo José Martins

6. A tempestade amaina e finalmente sinto as gotas da chuva na minha face. São lágrimas que escorrem duma face para a outra. Sónia chora, mas não diz nada. Que mais haveria a dizer?

07.01.16

Os Miasmas Que Me Envolvem.


Paulo José Martins

5. Bate e rebate dentro do meu cérebro este som que me arrepia a pele. Os miasmas que me envolvem roubam a consciência que vai e vem desfocada. O vento entra pela casa e varre tudo pelo seu caminho. A sónia abriu as janelas e as portas.

06.01.16

A Porta Bate, Uma e Outra Vez.


Paulo José Martins

4. O fantasma dela acena ao longe afastando-se. Deito-me no frio do chão e olho para o teto imaginando o Céu. Até que um manto de propano me aconchegue num adormecer eterno. Oiço uma porta bater. A porta bate, uma e outra vez, ressoa no infinito.

05.01.16

Pegadas de Sangue.


Paulo José Martins

3.Nunca ninguém vem. Nunca ninguém chega e me salve. Ligo os bicos do fogão e
volto para o sofá deixando pegadas de sangue aqui e ali. Lentamente, o vapor se
mistura com o ar. Serpenteia sorrateiramente para dentro de mim.

04.01.16

Uma Dor Longínqua.


Paulo José Martins

2.Ando descalço pela casa, calcando os vidros partidos. Dentro de mim existe apenas
uma dor que vem de dentro. Uma dor longínqua que se aproxima e nunca chega.
Dói ao longe rindo-se de mim. Uma dor que se recusa a doer de vez.