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100Destino

Onde um destino sem destino procura um destino entre cem.

100Destino

Onde um destino sem destino procura um destino entre cem.

26.02.16

A Planície Deserta Deste Desespero.


Paulo José Martins

41. Sinto um excesso de oxigénio a assaltar-me as sinapses. Tudo é muito, tudo é
demais. Há lá fora um mundo inteiro a descobrir e eu aqui aninhado na púbis
imberbe da minha infância. Não consigo descolar da planície deserta deste
desespero.

25.02.16

Sangramos Em Uníssono.


Paulo José Martins

40. Sangramos em uníssono. As fagulhas, os estilhaços do vidro que separam as marés
ferem-nos a pele e mesmo assim bebemos à saúde das almas que se perdem no
esquecimento natural das coisas.

24.02.16

Na Bruma Salgada.


Paulo José Martins

39. Imagino-a à beira-mar, delicada na bruma salgada da onda que rebenta
inesperadamente a seus pés. Uma risada e o seu sorriso perpassa todos os grãos de
areia do universo dando à minha pessoa uma razão de ser, de existir… de estar vivo.

22.02.16

Os Corpos Caidos Das Outras Pessoas.


Paulo José Martins

37. A calçada fala comigo dizendo que gostava de ter pés e que as estradas deviam de
ser feitas de pessoas. Eu respondo que as estradas são feitas de pessoas. Existem
pessoas a caminhar sobre os corpos caídos de outras, sem nunca lhes estenderem a
mão. Sem nunca se importarem.

19.02.16

Tudo Se Perde.


Paulo José Martins

36. De noite a chuva não caía no meu âmago. Nem os teus braços afagavam o meu
peito. Pela janela entra sem pedir a risca luminosa de um ruído que reverbera e se
perde. Tudo se perde.

18.02.16

Uma Morte Eminente.


Paulo José Martins

35. As mãos apertavam a garganta que escoava o sangue de uma morte eminente.
Surge um murmúrio interior que se perde nas entrelinhas. Lentamente a
consciência se dissolve de uma forma impercetível. Sentia-se que por definição a
vida era uma procura inconsciente da morte.

17.02.16

O Fuzilamento Literário.


Paulo José Martins

34. Lembro-me que cremámos o pedro. Insistia no manuscrito como se o mundo
dependesse de gotas de tinta borradas no papel. A prosa toda alinhada, as letras
como condenados à espera de serem executados por fuzilamento literário.

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