Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

100Destino

Onde um destino sem destino procura um destino entre cem.

100Destino

Onde um destino sem destino procura um destino entre cem.

31.03.16

A Paisagem Deserta De Mim.


100destino

65. A cada voo via a paisagem deserta de mim. Era como se tivesse desaparecido e no mundo só existisse joana a dançar à beira do precipício. Joana de vestido na mão, as suas coxas roliças em passos de dança que faziam o vestido saltar e planar, caindo levemente até que fosse impulsionado de novo.

30.03.16

No Delírio Da Criação.


100destino

64. E eu a dançar na palma da mão de joana. Afinal não era eu mas apenas uma foto de mim. Será que é possível uma foto sentir? Joana dançava e sónia tirava fotos. Um vestido de noite húmido numa praia deserta. Uma mulher linda a dançar e as gaivotas voando por perto. E eu, como as gaivotas, voava de perto perdido no delírio da criação.

29.03.16

Um Porto De Abrigo.


100destino

63. Na praia os pombos iam e voltavam à procura das migalhas de pão. Pombos brancos de asas largas que em vez de arrulharem grasnavam. As gaivotas fugiam da tempestade que se avizinhava e procuravam um porto de abrigo na palma da minha mão.

28.03.16

Um Bailado Sobrenatural.


100destino

62. Joana no meio da sua dança roubou-me a fotografia e continuou a dançar ao longo da praia, entrando ligeiramente dentro de água e baloiçando a ponta do vestido nas mãos. Segurava a foto com uma mão e abanava o vestido que, lentamente se ia molhando e a própria roupa interior já estava a ficar húmida. Os tecidos colavam e se descolavam do corpo sucessivamente, fazendo parte de um bailado sobrenatural.

25.03.16

A Imagem Acusadora De Si.


100destino

61. Sónia tira uma foto aqui, outra ali, insiste na procura da foto perfeita. E logo tirou uma foto de mim. Logo eu, que não gosto de fotos. E ali estava eu, a olhar para mim, com a sensação de que aquele individuo na fotografia não gosta de ver aquela imagem acusadora de si.

24.03.16

E Eu Cada Vez Mais Fora De Mim.


100destino

60. Joana começa a dançar. A rodopiar levantando os calcares do chão fazendo voar a areia numa pequena tempestade. Sobe e desce o vestido. Sobe e desce o vestido, mostrando cada vez mais as coxas. E eu cada vez mais fora de mim.

23.03.16

O Vestido Húmido.


100destino

59. Joana solta uma gargalhada e levanta o vestido pelo joelho para não se molhar. E eu ali, extasiado, a olhar aquela cena saída de um filme. A olhar o vestido húmido que se colava nas coxas de joana.

22.03.16

O Novelo Branco.


100destino

58. A maré vem subitamente e uma onda desenrola o novelo branco que embate na areia molhada e espalha a espuma como estilhaços de vidro que cobre toda a mobília e o chão de pedacinhos cristalinos.

21.03.16

Na Água Do Memento.


100destino

57. No entanto aparece-me uma sensação de familiaridade. Uma sensação de que já vi aquela foto antes. Já vi aquela foto na mão da sónia enquanto pintava o quadro da joana à beira-mar. Enquanto eu e a joana passeávamos à beira-mar e sónia tirava fotos atrás de nós com a câmara que revela as fotos na água do memento.

18.03.16

A Vida Tem Tantas Mortes.


100destino


77. Naquele momento fiquei com a sensação que já tinha morrido antes. A vida tem tantas mortes que às vezes esquecemo-nos delas. Morremos pequenas mortes, uma e outra vez, tantas vezes que acabamos por nos esquecer se alguma vez morremos de vez.

Pág. 1/3