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100Destino

Onde um destino sem destino procura um destino entre cem.

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Onde um destino sem destino procura um destino entre cem.

31.05.16

Sinergias antagónicas.


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108. O autor luta contra todas estas sinergias antagónicas e tenta fazer conceções, acordos, contingências. Página após página a lutar contra a energia de tudo o que produz, sobra-lhe um resultado irrelevante ou inconsistente.

30.05.16

Não falam, não sentem.


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107. Atentam, elaboram conluios, golpes de estado. Fabricam os bloqueios de criatividade e recusam-se determinadamente a fazer o que lhes é pedido. Fazem greves, não falam, não sentem, não colaboram enquanto as vontades não lhes forem feitas.

27.05.16

Calculistas de dedo mindinho na boca.


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106. As personagens ganham vida enquanto se escreve. Tem ideias próprias, vontades. Tem destinos diferentes, pensamentos, sofrem. Querem o melhor para si, mesmo que seja à custa do autor. Lutam contra a vontade deste. Não concordam com o seu papel. Investem, calculistas de dedo mindinho na boca.

26.05.16

Dentro de cada leitor existe um livro novo.


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105. Ganha uma segunda vida dentro do leitor. Dentro de cada leitor existe um livro novo. Um livro diferente a que mais ninguém tem acesso. O leitor constrói a história segundo as suas perceções pessoais e nada disso está sob controlo do autor. Se o livro for bom, o leitor sofre com a sua própria realidade.

25.05.16

Tirar o fôlego seguinte.


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104. Tento arrumar as coisas dentro da minha cabeça. Sinto um vazio no peito quando estou quase a acabar. É como se tivesse dado tudo de mim e não sobrasse nada. Nenhuma força sobra para que possa dar o próximo passo. Tirar o fôlego seguinte. Afastar a tristeza de um livro que morre. O livro só está vivo enquanto o escritor trabalha nele.

24.05.16

Um sentidor.


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103. Mas às vezes penso que este mundo é muito maior do que eu e que no fundo sou apenas uma gota de tinta no canto de uma letra. Não sou mais que uma testemunha do processo. Um observador apenas com um maior grau de interveniência. Um sentidor.

23.05.16

Manter a prosa sobre controlo.


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102. Às vezes é preciso disciplina para domar a alegoria e não a deixar extravasar por todo o lado. Manter a prosa sobre controlo. Para com um assobio mandá-la sentar-se, dar a pata, rebolar. Ou, principalmente, com um sinal rápido, que se coloque em sentido.

20.05.16

A metáfora no papel.


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101. Olho para o amontoado de frases e já não sei como é que elas se ligam umas nas outras. O que veio primeiro e o que veio depois. O que queria dizer com aquilo que disse. O que estava a sentir quando tentei colocar a metáfora no papel.

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