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100Destino

Onde um destino sem destino procura um destino entre cem.

100Destino

Onde um destino sem destino procura um destino entre cem.

30.06.16

Submerso pelos tons de cinzento.


Paulo José Martins

130. A pele calcinada escorre por mim abaixo como lágrimas enquanto cansado me deito no chão. No quadro, joana começa a cantar. Mas em vez de sons saem borboletas ciganas, beija-flores em acessos de aplausos, vaga-lumes cintilantes como estrelas cadentes. Todas as cores do arco-íris voltam a dar tonalidades ao que tinha sido submerso pelos tons de cinzento.

29.06.16

À minha volta tudo arde.


Paulo José Martins

129. O miador ficou sozinho deitado nas cinzas. À minha volta tudo arde. Pego fogo a tudo. Sou o destruidor de mundos. Aniquilador de perceções. Carrasco das minhas perturbações doentias.

28.06.16

Todos morremos na explosão.


Paulo José Martins

128. Todos os vidros estilhaçaram, implodiram, espelhos, molduras. Aspergiram o chão de pedacinhos cristalinos. As almas que me assolavam o espirito morreram. Todos morremos na explosão. Mas só alguns desapareceram da minha vida.

27.06.16

Tudo ardeu violentamente.


Paulo José Martins

127. Os gases do fogão assolam todo o estúdio. Serpenteiam entre os móveis. Ocupam todos os minúsculos interstícios da alma. Pedro não impediu sónia quando ela pegou fogo ao manuscrito e logo se deu a explosão. Tudo ardeu violentamente, matando-nos a todos.

24.06.16

O lugar onde me encontro.


Paulo José Martins

126. Procuro muitas vezes dentro de mim o lugar onde me encontro e fico sempre sem saber se nestas múltiplas faces do ser irei alguma vez me encontrar com a melhor parte de mim. Dizem-me que existo dentro de mim e a única pessoa que quero encontrar está perdida neste marasmo de uma solidão povoada.

23.06.16

Naquela manhã em que a morte fugiu de mim.


Paulo José Martins

125. Houve um momento no futuro, em que sónia disse-me que só existo dentro de mim. Naquela manhã em que a morte fugiu de mim. E eu não me lembro sequer de ter tentado segui-la, procurá-la, chamá-la de longe. Nem sequer um tímido grito para que finalmente descobrisse onde me escondo. Que não se perdesse de mim e acabasse finalmente com este desespero de não saber quem sou eu. Afinal quem é este eu que existe dentro de mim?

22.06.16

A felicidade é esta mão na minha mão.


Paulo José Martins

124. A felicidade é esta mão na minha mão. Esta partilha de momentos que por serem tão pequenos tornam-se singularidades que criam os universos em expansão. Explodem a matéria magmática de que somos feitos. Até ao momento de voltar e congelar tudo outra vez no momento indefinível da separação. Tudo nasce, tudo morre. Tudo o que existe afinal se transforma. Em dor.

20.06.16

No fundo existe sempre a dor.


Paulo José Martins

122. No fundo existe sempre a dor. A felicidade será a falta desta dor que nos
acompanha. Esta pequena dor que nos guia o caminho em que nos perdemos por marcharmos com os olhos tapados temendo encontrar o sofrimento.

17.06.16

A praia deserta.


Paulo José Martins

121. É inevitável julgar que no inverno a praia deserta seja como um quadro pintado por algum artista e nós fazemos parte dele. Da mesma maneira que sónia faria parte de um manuscrito se não existisse já dentro de mim.

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