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100Destino

Onde um destino sem destino procura um destino entre cem.

100Destino

Onde um destino sem destino procura um destino entre cem.

21.11.16

Os Nexos Complexos Finalmente Coalesciam Nos Amplexos.


Paulo José Martins

     As noites chegaram finalmente em que o amor pulava as margens soltas deste rio de luz e claridade e palavras e gestos. Os nexos complexos finalmente coalesciam nos amplexos.
     Perto de mim persiste o cheiro noturno de flores que desabrocham. O mais pequeno perfume reverbera como um foco de luz que me diz onde estas. De onde vens. que futuro veste a tua pele sôfrega. O caminhante sofre usurpado pela luz incandescente desta chuva de estrelas.
     Algures nos entrefolhos do amor a esperança cresce em mares frenéticas de prazer. Quem seremos nós senão a imagem espelhada duma ideia. Uma perceção fugaz que se cria e logo desvanece não deixando traço que alguma vez existiu. Apenas deixou uma sombra de memoria, um fantasma errante de uma sensação que se oprime por existir. Um fugaz lugarejo de recordação onde podemos viver secularmente sem deixarmos, no entanto, de sofrer a dor paliativa de existir.
     Sei que por momento estiveste perto de mim. Um dia existiu o lugar em que nos tempos imemoriais a membrana ventosa do nosso destino se tocou criando um universo alternativo. Um momento em que a queda do firmamento uniu todas as formas viventes num único ponto de paixão.

14.11.16

A Dor É Apenas Um Estado Magnético Do Universo.


Paulo José Martins

     Cada segundo perdia se neste deserto de emoções que encontravam permeando a memória, o segundo momento de cada hora aflita. Na hora da morte até a tortura mais cruel nos parece como paliativo divino, o momento de paz que se perdeu de nós. 
     Seremos apenas um dia talvez o estado de graça de átomos aleatórios fugindo de si para si e encontrando-se apenas por um breve fugaz momento de companhia solidário que na sua soma gerava no seu ventre o nosso conhecimento. O momento em que sabemos que existimos. Que damos conta que a dor é apenas um estado magnético do universo.
     Subitamente do borbulhar de vulcões perdidos no oceano vulgar de existir surgiu uma ilha de sabor. Um perfume exalando em flores de luz, pétalas vibrantes percorreram o meu corpo num afagar elétrico. Tudo dentro de mim ecoou, reverberou nas paredes adornadas do sofrimento, o momento em que o tu surgiu dentro de mim.
    Nunca mais partirei deste segredo supersónico, nunca mais sofrerei as agruras de me pensar sozinho. A solidão morreu definhada pelo vento solar de um sorriso. Uma tangente milagrosa do teu olhar passou por mim de leve, lentamente, e no breve momento o seu toque sem peso entrou fundo no meu coração e a partir dai nunca mais as somas de mim se subtraíram nos miasmas tóxicos do desespero.

07.11.16

o Veneno Tóxico Da Loucura.


Paulo José Martins

      Houve me tempos a faculdade imberbe de descobrir os eventos do passado. Um destino distópico, disforme dissolvida nos ácidos da consciência. Algures na intempérie do desgosto sossegava-me o especto dialético do saber.
      De outros modos ouvia-se discutir nas solarengas noites de um inverno festivo que a vida faltava pelos nós das costuras invisíveis. Haveria dentro desta realidade esquecido um método que nos usava os sentidos e impedia o sono de chegar ao amor.
      Podíamos viver um todo tempo sem nunca tocar a falange de cor de uma pele desconhecida e perdidos neste marasmo insensível cairmos na loucura insondável do pesadelo. Achávamos que era de todo o proibido de pensar, o raciocínio indelével dos sentimentos ofuscava todas as noções de existir fora deste martírio. Tudo o que encontrávamos era insondável ao desespero de nascer.
      A amargura na luz de inverno entrava pelos interstícios do corpo minando a alma de um veneno tóxico da loucura. As imagens coincidentes do desespero fulguravam magmáticas na fresta das falanges. Escapava se por entre os dedos o amigo sono de paz que desabitava as noites, madrugadas de insónia onde marulhavam os espíritos funestos da alma.

31.10.16

A Fonte Inestimavel Do Desassossego.


Paulo José Martins

     Vi-me de súbito impermeável à água do desespero. O momento que me impedia a ilusão voltava outra vez para esquecer de todo o que não queria me tornar. Perto de mim surgia pela janela feita de ramos de amendoeira um baloiço onde perdurava um ser infinito.
     Poderia desta vez o percorrer vulcânico dos meus dedos encontra o toque vítreo de uma outra mão e nesse momento onde todos os átomos se coabitam numa singularidade de conhecimento e surge de dentro de si próprio um gesto de afinidade e surpresa.
     Debaixo deste tapete acrílico de musgo e trevos de quatro folhas surgia finalmente a nascente intocada da alegria. O infortúnio tinha sucumbido nas mãos funestas do destino. E irrevogavelmente tinha cedido o seu exasperante lugar de melancolia e desespero ao infinito gesto de uma crisalida que floresce num mar de luz. Sobre todos os folhos do mundo haveria agora onde despertar deste sono nu. Finalmente perto de nós chegara a fonte inestimável do desassossego.
     Chegara agora mesmo esse momento inesperado onde aprendemos a amar. tinha entrado sem pedir, sem se desculpar arrebatando todo o conhecimento que eu poderia ter de sensações, momentos e espaço, usurpado os meus sentidos e envolvendo os num trovão, num redemoinho, num turbilhão de um doce infinito.

24.10.16

O Campanheiro Lacustre.


Paulo José Martins

      Nas horas celestes desta madrugada perguntava aos anjos da desilusão onde estaria o paradeiro rigoroso de mim. E de mãos vazias de setas acenavam-me os incompetentes cupidos da ilusão. Haveria neste mundo um segundo fugaz de compaixão. Neste caixão negro onde jazem as moribundas cinzas da esperança ainda germinava o companheiro lacustre da esperança que por fim te encontrasse.
     Vogam pela floresta os panos furados de velas aquíferas. E de pés molhados de lagrimas de saudade caminha no fundo do espelho cristalino da imagem invertida de mim. A reflexão torna tudo mais difícil. O raciocínio turva o ambiente já de si fosco pela chuva de estrelas. Pirilampos de fogo que nos queimam, fantasmas que não nos abandonam neste tortuoso caminho de viver.
     Os pássaros ribombavam as pétalas em pleno voo. E eu de orelha no chão procurava o sentido celeste da esperança. Procura ouvir um sinal ao longe. Uma reverberação interior. Um estremecimento do coração que despoletasse um sentido qualquer onde eu pudesse despertar, divagar perder me em todo o eu.
     O mármore do oceano descolocava se sem pedir. A náusea o afogado iludia-me o desespero por breves momentos. A pouco e pouco descobria em mim um ser que não me habita. A luz entravasse no espirito ofuscando este método de amar.

17.10.16

O Nevoeiro De Uma Morte Distante.


Paulo José Martins

      A cada momento sinto refulgir este esforço magmático de me manter inteiro. A partir de mim cada peça se descobre no desejo de crescer em ramificações de pedra onde possam permanecer o tempo interminável do destino inconstante da adoração. Um gesto fica neste marujo de pedra que se cinde sob o escopro agreste da paixão.
      Nada a não ser migalhas sobram deste momento em as nossas bocas se tocam como folhas caídas rodopiando dentro de um circulo convexo de aperto e mais aperto até ao ponto da minha pele não ser mais a minha pele. Torna se uma indelével camada que sobrevive na maré espigada da tua.
      Na memória o tempo em que não havia um eu a seguir um tu. Tudo definhava no cinzento que ia e vinha pintando este mundo de diferentes tons de cinzento. As tardes amoleciam em vários níveis de melancolia. O sabor de viver desistia do insonso marulhar do tique taque de milhares de relógios que se apressavam para acabar com um qualquer resto de vida que ocupasse um interstício esquálido no universo.
     No novelo insipiente dos dias surgiam um no que se revelava insondável ao mais comum dos discernimentos. Havia um vagar de morte que caia como o nevoeiro de uma morte muito distante. Alongava se nos beirais o gesto fúnebre de morrer.

10.10.16

O Espírito Interior Da Terra.


Paulo José Martins

      Esperava que na sombra das tardes os dias passassem sem nunca se esconderem do destino que as atravessava como um rio esquálido e soberano. Os seus olhos perdiam-se nas longas tardes onde as prosas fulguravam incandescentes em silabas, ditongos esvoaçantes dos ecos do espírito interior da terra.
     Sobre estas ondas verdejantes que se aproximam e afastam. Existe o interminável vogar de uma paixão que sopra incandescente sobre a orla florida de uma pele fugidia. Toque a cada dedo sobre esta pela aquecida pelo beijo intermitente de uma ave que te rapina.
     A memória revela inacabados momentos de um passado que vivemos uma e outra vez. Espero que o nosso destino se repita, se distinta e alongue num momento perene. Como folha de orquídea que se recuse a sair e permita que o beija flor intempérie da alma beba em si os sumos de deleite carnal e nos seus folhos descubra a doçura de uma carne que se toma e bebe, sorve os líquidos melíferos da paixão.
    Perco te por momentos na ansia de te amar. E nesse pescoço treme uma veia mineral que afugenta todos os calafrios da incerteza. espero perseguir esse calor visceral em que o meu corpo se toma espirais e acessos de uma loucura imberbe que me toma os sentidos de uma forma inqualificável sem pudor ou intermitências de morte.

03.10.16

Desejos De Carne E Sabor.


Paulo José Martins

      Sob a copa ilustre das amendoeiras em flor escapávamos ao mundo mesmerizados pelo terno calor da tarde. Pétalas rosadas caiem em neve sobre o nosso colo. Haveria um dia em que não conseguiríamos esquecer este tempo que se atravessa na memória de um outro dia.
      Disse-lhe que o mundo se apoia na palma da sua mão. E na frugal maresia do vento inventávamos desejos de carne e de sabor. Sempre connosco havia este sentimento de uma paz insuperável que nunca acabava. 
      Espera que o eterno movimento celeste não se entrepusesse no sabor dos sonetos invisíveis. sobre este âmbar do por do sol cabia um novo mundo ainda por descobrir. Cresce em sentimentos magmáticos de exasperação pelo destino que nos espanta e ao mesmo tempo se nos encontra neste redemoinho sem fim.
      As paisagens tornavam se florais ao passar das estações que nos impunham de um sentimento de paz e exercício. Nunca uma fugaz fagulha de luz impedindo o olhar sacrílego de um momento só. Haveria de saber como o esconder de uma final feliz.

30.08.16

O Esquecimento Natural Das Coisas.


Paulo José Martins

      O miador atormentado procura roçar-se nas pernas, procura um afagar apaziguador nas orelhas e de preferência encontrar na sua malga a caçada mágica do dia. Ficamos indefinidamente em suspenso neste sopro a que chamam viver. A metáfora ultrapassa-nos, tornando impercetíveis os limites do seu amplexo.
       Pedro aproxima-se do fim. Uma luta visceral contra os demónios de si. E finalmente, terá descoberto o santo graal dos parêntesis. Algures, as sílabas alinharam-se na solidariedade gravítica da prosa.
       Suponho que afinal exista um lugar de descanso onde se possa pousar a caneta e que o livro se possa escrever a si próprio. Sem tormentos, dúvidas ou desistências. Talvez possamos criar um ser vivente nesse livro que possua o seu calor. Os seus próprios desejos e carências. Sofra também com quem o leia. Evolua e se transforme ao ponto de melhorar com o tempo.
       Joana senta-se à beira de água. Já não dança, já não chora. Olha o horizonte longínquo e suspira. Sente que o rapaz que se perdeu dela está a caminho. E a voltará encontrar um dia. Basta saber esperar.

O Esquecimento Natural Das Coisas.

 

           «««««   Fim.   »»»»»

29.08.16

O mapa encardido de uma felicidade tardia.


Paulo José Martins

      Existe sim o mapa encardido de uma felicidade tardia. Um pergaminho misterioso que se oculta nos interstícios da alma. Esconde-se por entre as fimbrias da dor e tem de se procurar interminavelmente para encontrar o fio condutor que o puxará finalmente de volta para a vida.
      Joana entra no mar à procura da sua alma salgada. Abre os braços como vela distendida à espera que vogue o espirito do vento e que a preencha eternamente com a sua aragem, com o seu calor.
      Joana sobe levada pelos ventos da sua amargura e espera encontrar nos terrenos do céu quem se perdeu de si. Algures no vapor matutino da esperança irá existir um momento onde o sonho toca a realidade e tudo o que nos atormenta possa finalmente morrer de inanição.
      Joana diz que um dia irá pintar um quadro. Usar as cores mais lindas e criar um artefacto de alegria e calor, irá pintar as linhas da empatia. Até já sabe como irá chamar ao seu quadro.