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100Destino

Onde um destino sem destino procura um destino entre cem.

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Onde um destino sem destino procura um destino entre cem.

20.07.14

Alma extinta.


Paulo José Martins

 

As cadências do medo vivem crispando as acendalhas deste viver prescrito. Sinto-me só pela calada noite. Pelo manto inóspito da rua fogem as estrelas cadentes do néon dos bares. Subtil a humidade a crescer-me nos ossos paralisados e sei que já não sou o vaga-lume da aurora.

 

Tornei-me o senhor dos meus enfins. E tudo o que acontece se perde na fímbria estelar dos molhos. Até onde se vê só existe água, uma maré infinita do mais longo saber. Cálida madrugada em que resisto a tentação de um olhar que me persegue.

 

O veneno já não existe em mim. Há muito tempo que a morte aquosa dos plátanos me soterrou em mágoas de uma planície agora deserta. Neste momento sou apenas uma negra bebida derramada sobre os pulsos cortados de uma alma extinta, morta.