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100Destino

Onde um destino sem destino procura um destino entre cem.

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Onde um destino sem destino procura um destino entre cem.

06.07.14

O nosso próprio adeus.


Paulo José Martins

 

Pela praia caminho sonâmbulo entre as folhas caídas dos dias. Diáfano prazer de virgens que se desnudam sob a carícia penetrante do sol. Todos os dias são dias de amar. Na vertente de um desgosto sinto a malagueta da infâmia e soçobra-me gestos de aço sobre azul.

 

Nunca na minha vida soltei beijos de amêndoa como flores na primavera. Tudo tem um jeito de ser. Mesmo a flora matinal das conchas em praias antes vazias de gente incógnita. Pescadores de almas arrastadas ao vento e nunca sobre o olhar de um deus qualquer.

 

Extingo-me em elipse antes que a alvorada me devore. E serei para todo o sempre deste corpo que se me acaba antes de mim. Julgo que o amanhã virá cavalgante e nos levará pelas planícies de um outro viver e ai seremos juntos o nosso próprio adeus.